.... parafraseando Bonjour tristesse, titulo de um romance de Françoise Sagan que já mereceu algumas versões para o cinema.
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2025 foi o ano em que fui apresentado à velhice. Suas dores típicas, alvo das queixas de outros contemporâneos, passaram a ser minhas também. Apossaram-se de partes do meu corpo, tolheram a liberdade de meus movimentos, tornaram-se parte da rotina. Posso dizer - finalmente (?) - sou um velho.
A memória rateava, mas nada além do que relatavam os colegas. Fisicamente orgulhava-me das longas caminhadas que sinalizavam minha resiliência física, mesmo com um prontuário recheado de intercorrências médicas. Fui forçado a reduzi-las, diante das persistentes dores no ombro e no quadril esquerdo, o lado mais afetado pelo acidente de 40 anos atrás e provavelmente a causa maior da malaise. - Aqui se faz, aqui se paga... é aforismo certeiro para o tratamento que damos ao corpo em nossas vidas.
Estou de molho, observando o comportamento da dor. Consulto médicos, aguardo resultados de exames, tentando identificar os problemas. Certamente, não me livrarei das dores. Aceito-as estoicamente, fazem parte da quadra da vida em que me encontro. Oxalá os deuses, de mim se apiedem e permitam que eu continue com minhas caminhadas. Além dos livros, são a alegria que me resta. Fazem bem à minha alma.
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Realizações? Fiquei abaixo das expectativas. Não consegui concluir as obras de um apartamento que comprei no final do ano que passou.
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Projetos? Pesa sobre mim aquele do Caminho de Santiago. Não me canso de adiá-lo, assistindo ao mesmo tempo, o espectro das limitações físicas crescendo.
Gostaria de conhecer pelo menos o nosso país. Comprar uma pick-up 4x4 e sair por aí sem lenço e sem documento. Será que conseguirei?
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Mais um ano gregoriano e mais presente a sensação de finitude. A distância que me separa do fim - outra vida? o retorno ao nada? - diminue, e diminue, e diminue...
