quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A solidão não é para os fracos (II)

Schopenhauer pode não ter sido um grande filósofo mas certamente é um filósofo indigesto. Concebeu o ser humano como um ser submetido ao grilhão de uma vontade irracional, insconsciente e  insaciável. Satisfeito um desejo, sobrevém o tédio e a compulsão por um novo. A insatisfação é permanente;  o sofrimento torna-se componente inseparável da existência. 

(Sim, estou simplificando; duas ou três frases não abarcam sua filosofia,  mas são o bastante para o tema da postagem) 

Indigesto, não? Ainda mais em tempos de felicidade instagramável, expressa nos rostinhos sorridentes e corpos perfeitos dos perfis pessoais das redes sociais. Notabilizado por seus comentários mordazes, imagino o que Schopenhauer escreveria a respeito do nosso espírito do tempo.

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Entretanto, ele foi  generoso com a solidão e os solitários. Apesar das fontes não serem livros do autor ou sobre sua obra/filosofia, ele invariavelmente é citado quando aborda-se o  tema:

A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais.

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Quem não ama a solidão, não ama a liberdade.

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A solidão concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar só consigo mesmo; segundo, a de não estar com os outros. Esta última será altamente apreciada se pensarmos em quanta coerção, quanto dano e até mesmo quanto perigo toda a convivência social traz consigo.
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Não é lisonjeiro para quem é tão mal avaliado socialmente?


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