terça-feira, 31 de março de 2026

"Bora comprar um jatinho"

A frase faz  parte de um diálogo entre uma advogada e um interlocutor que integravam uma quadrilha que desviava dinheiro de aposentados e pensionistas do INSS. Ela, um empresário e a uma deputada federal pelo MDB do Ceará - Gorete Pereira - foram presos pela PF na Operação Sem Desconto.

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Nesse país de meu Deus,  a bandidagem do andar de cima agora deu para banalizar até  jatinho. Para esses ladrões qualificados, carrões  e relógios de luxo são sonhos de consumo - imagino - de delinquente pobre. O sarrafo deles é mais alto; a meta agora é adquirir um  jatinho. Vorcaro, o chefe da quadrilha do Master, era dono de 3 jatos executivos.

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Com tantos golpes sendo perpetrados diariamente e tanto bandido solto,  se o novo hábito de consumo se tornar rotina entre a bandidagem bacana, logo, teremos problemas de tráfego aéreo no país. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Filosofando

O caráter plural de nossas qualidades e forças diferencia o homem e o animal. Este é prisioneiro na monotonia de uma só atividade e possibilidade de vida, enquanto nossa pluralidade se expressa em uma multidão de imagens. Se chegar a representar um objeto, o animal expressa nessa representação a sua própria natureza unitária. O homem, porém, na condição de ser múltiplo, tem acesso a uma pluralidade de modos de conhecer as coisas. Pode vê-las sob diferentes interesses e conceitos, imagens e significações. O objeto não é só objeto de desejo, mas também de conhecimento teórico; não só de conhecimento, mas de avaliação estética, não só de avaliação estética, mas de sentimento religioso. Com a filosofia, atividade da alma que vê a riqueza de significado das coisas, ele passa do estágio da existência aleatória ao estágio do princípio e da necessidade interior. Toda filosofia se baseia na idéia de que as coisas são algo mais: o múltiplo, além disso é unidade; o simples é composto; o terreal, divino; o material, espiritual; o espiritual, material; o inerte, móvel e o movente, imóvel.

 Simmel, G. , Schopenhauer & Nietzsche, Contraponto, 2010.

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Nos dias atuais, estacionamos o bonde na estação  desejo. 

Lula, Bolsonaro, Neymar

Cada um deles tem um público cativo - e não são poucos! - em Pindorama. Eles são os maiorais, sumos sacerdotes de suas igrejas, faça chuva ou faça sol, nas dores e alegrias de seus adoradores. A fascinação beira o demencial. Falsos brilhantes, todos!

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Além de não perder a oportunidade de perder oportunidades, também escolhemos mal nossos ídolos. Ou seriam heróis... o que tornaria o que já é ruim, pior!



quarta-feira, 25 de março de 2026

Haja diversidade!

Abandonei o universo pop da cultura, particularmente a musical, após os anos 90 do já longínquo século passado. Por exemplo, da lista dos headliners do Lolapalooza em SP  que aconteceu neste final de semana, desconheço todos; jamais ouvi uma música de qualquer um deles. Chamou minha atenção o nome da Chappell Roan, tida e havida pela crítica como uma das maiores atrações - já ganhou Grammy! - que se tornou ainda maior  após o incidente que envolveu seus seguranças e a enteada de um conhecido jogador de futebol do país. 

Uma fotografia em matéria de O Globo, levou-me a classificá-la, dentro do meu padrão mental anos 90 do século passado, como neo-gótica ou punk. Consultei a Wiki que a define como uma cantora/compositora americana de  músicas que remetem ao sinth-pop (?!) dos anos 80 e pop sombrio com tons de balada dos anos 2000. Sua estética é fortemente influenciada por drag-queens, seu estilo considerado exagerado. É lésbica e se identifica como queer. As fotos abaixo  ilustram o texto;

O Globo
Wikipedia
Wikipedia

Sou de uma geração que tem o Vive e deixa viver! como uma de suas marcas, mas, confesso, que o mix da Chappell não é para almas tíbias. A maquiagem pesada, as roupas de cores fortes, os cabelos caprichosamente desalinhados... tudo é um tanto mórbido, sombrio até! - fazendo coro com o texto da Wikipedia. Diversidade demais até para  um baby-boomer com 18 anos em 1968. 

Vou ouví-la. Se mostrar-se boa cantora, dou-lhe salvo-conduto.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Qual Pindorama, qual nada...

 ...agora és Toffolândia, ou Xandiquistão, de acordo com o Estadão. A Gilmarlândia, ao que parece, ficará restrita a um novo município do Mato Grosso.

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 - O que teus filhos fizeram de ti!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Dois heróis brasileiros dos nossos tempos

 ...são o cachorro Orelha .... e o cavalo Caramelo. Orelha foi brutalmente espancado até a morte por um grupo de adolescentes em Florianópolis no começo do ano. Foi comoção nacional. Protestos foram organizados em diversas capitais do país no dia 01.02. Caramelo tornou-se o símbolo da grande enchente gaúcha de maio de 2024. Até um mini-filme ganhou.

Confesso que a importância dada a esses animais me deixa perplexo. É óbvia a barbárie cometida com o Orelha, como também o é a resiliência do Caramelo. Entretanto, eu não vejo passeatas de protesto contra as incontáveis violências cometidas contra os seres humanos, assim como há histórias notáveis de resistência e coragem protagonizadas por homens e mulheres na catástrofe gaúcha. Por que tamanho destaque para os animais? Já lí por aí que num futuro próximo poderemos ter clínicas psiquiátricas para cachorros. Vá lá  tivéssemos todos os seres humanos desfrutando do mínimo necessário para viver, mas com tanta gente passando fome e vivendo em condições sub-humanas, parece-me uma distopia. Celebridades levando seus cachorros a clínicas psiquiátricas da Zona Sul, enquanto em Austin (a nossa...) famílias não dispõem de recursos para comprar uma cesta básica.

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Porém, contudo, todavia... 

case  pode ser visto com outros olhos. O sapiens anda tão mesquinho e miserável - que tal o caso Master em Pindorama ou então o escândalo Espstein lá fora, com tanto figurão envolvido?  -  que a opção pelos animais começa a ficar bem palatável. Vai ver os distópicos somos nós.

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Aos maledicentes de plantão, devo dizer que nunca matei um passarinho com bodoque (esporte preferido pela garotada dos meus tempos de guri), tampouco colocaria um pássaro na gaiola, assim como já recusei a oferta de cachorro para amenizar minha vida de solitário, pois considero uma desumanidade confinar um cachorro a um  apartamento.