quinta-feira, 25 de junho de 2026

Bora, Brasil!

- O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes da vida.

Arrigo Sacchi (ex-treinador italiano, inclusive da Squadra Azzurra)

Não para os brasileiros. Desconheço povo que dê tanta importância ao futebol e à Copa do Mundo. Se porventura escolhesse a Av. Atlantica e não a areia da praia junto ao mar para instalar minha cadeira e ler um livro durante um jogo do país na Copa do Mundo, certamente não seria importunado. O país para literalmente. Em dia de jogo da seleção, a bandidagem dá um tempo e as grandes operações contra eles - realidade quase diária nos jornais televisívos matinais do Rio - também.

*********

Afinal o que deu origem à descomunal importância que o imaginário do brasileiro dá ao futebol? Uma versão pessoal é de tendo recebido uma educação ufanista na infância e adolescência - o hino nacional é uma celebração -  frustrada na idade adulta e maturidade pela constatação das incontáveis mazelas que nos castigam como nação, restaram-nos as conquistas futebolísticas. Lí - tempos atrás - que juntamente com a India éramos as duas maiores virtualidades não concretizadas como nação no mundo atual. A India parece tomar jeito, mas continuamos atolados na mediocridade. Basta analisar os dados do ranking da competitividade mundial publicados a poucos dias, ou nosso desempenho pífio no PISA. Consolamo-nos com o fato de que somos a única nação penta-campeã do mundo de futebol. Nossa camisa é a única com 5 estrelas.  Valoramos o que para os outros povos - acho que eles estão certos! - tem importância secundária.

*********

Para o desconsolo e frustração de muitos, nem mais nesse quesito conseguimos performances dignas do que nosso imaginário exige. Lá se vão 24 anos sem Copa do Mundo e o tão almejado hexacampeonato.

 Será nesta edição? Não acredito.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

As entranhas do país

Há alguém no Brasil que as conheçe bem, seu nome é Daniel Vorcaro. Cara prático, ele sabe como o Brasil funciona; a vida como ela é, do brasileiríssimo Nelson Rodrigues. Foi traido pela desmedida - a hubris- que os gregos conheciam bem, porém, pouco levada a sério por quem sobre na vida muito rapidamente. Nossos pés de barro nos trazem de volta à realidade, mais cedo ou mais tarde. Impressionante a abertura do arco da República que ele literalmente comprou. Como vivemos em Pindorama, apesar dos mal-feitos em série praticados com dinheiro público, ele não deverá padecer muito tempo na prisão. Dada a quantidade de figurões envolvidos, um arranjo - mais um! - deve estar sendo costurado para que todos se safem. Nosso passado não falhará mais uma vez.

**********

Gilmar Mendes, é outro figurão que conhece bem o ecossistema habitado pelos poderosos Lê rapidamente a direção em que o vento  sopra; capo dei tutti capi,  manda e desmanda nas três esferas dos poderes de Brasília. Seu Fórum de Lisboa - Gilmarpalooza para os mortais - tem  projeto para o país de acordo com o artigo de Conrado Hubner Mendes para a Folha. Não duvido. Certamente aos moldes de quem sempre deu as cartas por aqui. Acresceria que projeto sempre tiveram,  pois mantém-se no poder desde seu descobrimento. 

**********

Desconfio, porém, que Gilmar também esteja sendo acometido pela desmedida. Decidiu andar para a frente, mesmo com todos os fatos desabonadores atribuidos a vários membros do STF. Fazendo referência às críticas ao seu Fórum e ao tribunal , disparou no discurso de encerramento: - Ninguém se livra de pedrada de doido, nem de coice de burro. O auditório explodiu em risos e aplausos de acordo com a Folha. Tanto orador, quanto platéia entendem bem as engrenagens do poder por aqui.