domingo, 2 de novembro de 2025

No Rio, guerra virou paisagem.(II)

 Pesquisas mostraram sobejamente o apoio do povão a ação da policia. Apenas confirmaram o que pensa a minha secretária. Ambos sabem bem onde o calo aperta.

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Já a turma do andar de cima, pensa que essa aprovação é lamentável de acordo com o artigo de Paulo Sérgio Pinheiro para a Folha de hoje. Ele é um cientista político e exibe um currículo respeitável com cargo e missões humanitárias na ONU. O que dizer da classe artística, da imprensa e da academia que dobram a aposta; consideram  as opiniões desse pessoal, fruto do conservadorismo, atraso, falta de cultura. Encastelados nos seus bairros e condomínios fechados da Zona Sul e Sudoeste que - ainda! - não vivem sob a ordem do dia de milicianos ou de bandidos do CV, TCP ou ADA,  e que na sua grande maioria consideram  bandido uma vítima da sociedade. Fazem eco ao velho Rousseau - um farol dos progressistas - para quem o ser humano é naturalmente bom; é a sociedade que o corrompe. É simpático...  você constrói uma reputação de pessoa que acredita na humanidade entre seus pares. Não é o que a realidade mostra. Fosse, frentistas de postos de gasolina, a turma dos serviços gerais nas empresas, as secretárias que servem a esses bacanas, e na sua maioria vivem em favelas, também seriam bandidos. 

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Preocupante é constatar que pessoas muito próximas a esses grupos do crime organizado, com suspeita de participação nas suas atividades, como funkeiros/influencers/DJ's - alguns já foram presos - tenham tantos seguidores nas redes sociais. Já falei deles em post anterior. Quem explica? É povo da favela também. Seria o ódio à violência da polícia tão grande? Ou seriam ecos da glamourização da vida bandida que tem suas raízes lá atrás nas décadas de 70 e 80? Quem não lembra da bandeira-poema de Sérgio Oiticica (1968):

 - Seja marginal, seja herói

(se bem me lembro já  postei-a por aqui )

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