O caráter plural de nossas qualidades e forças diferencia o homem e o animal. Este é prisioneiro na monotonia de uma só atividade e possibilidade de vida, enquanto nossa pluralidade se expressa em uma multidão de imagens. Se chegar a representar um objeto, o animal expressa nessa representação a sua própria natureza unitária. O homem, porém, na condição de ser múltiplo, tem acesso a uma pluralidade de modos de conhecer as coisas. Pode vê-las sob diferentes interesses e conceitos, imagens e significações. O objeto não é só objeto de desejo, mas também de conhecimento teórico; não só de conhecimento, mas de avaliação estética, não só de avaliação estética, mas de sentimento religioso. Com a filosofia, atividade da alma que vê a riqueza de significado das coisas, ele passa do estágio da existência aleatória ao estágio do princípio e da necessidade interior. Toda filosofia se baseia na idéia de que as coisas são algo mais: o múltiplo, além disso é unidade; o simples é composto; o terreal, divino; o material, espiritual; o espiritual, material; o inerte, móvel e o movente, imóvel.
Simmel, G. , Schopenhauer & Nietzsche, Contraponto, 2010.
*********
Nos dias atuais, estacionamos o bonde na estação desejo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário