sexta-feira, 20 de março de 2015

Harmônica ( gaitinha-de-boca para o vulgo)

Ah... como gostaria de tocá-la. É uma das minhas frustrações.
Sou, entretanto, um homem sem qualidades; provavelmente mesmo com um  sino eu sentiria dificuldades.
Resta-me ouvi-la e apreciá-la até onde minha sensibilidade permite.
Prá começar um bam bam bam internacional:  Toots Thielemans. Aqui com Pat Metheny.


terça-feira, 17 de março de 2015

Panelaço

Não é o rufar dos tambores,
nem o ecoar dos clarins
anunciando novos tempos.
Ouço assustado,
o som disforme,
desafinado
das panelas
anunciando  o fim dos tempos.
Há raiva, revolta,
desencanto.
O povo está cansado
de lero-lero, lorota.
Nossos homens públicos,
prometem, não cumprem.
Mentem.
Até quando?

domingo, 15 de março de 2015

É muita cretinice!


Não estou na lista. Em 48 anos de vida pública, sempre fui correto. Estou com Janot: se alguém deve, tem de pagar.
 
DE PAULO MALUF (PP-SP), deputado federal, diante da citação de 30 políticos de seu partido, o maior número entre todas as siglas, na lista da Lava Jato. Painel - Folha, 08.03.2015

Será que ele não participou da manifestação ontem?  livre, leve e solto......No Brasil, por supuesto!
Esse é o exemplar típico do  bem resolvido desses tempos sem eira nem beira onde certo e errado andam misturados numa geléia geral de arrepiar. Cadê os end points? Mesmo existindo apenas teoricamente,  eles devem estar sempre presentes no imaginário de cada um.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Lisbon Revisited

LISBON REVISITED
(1923)

Não: não quero nada.

Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Álvaro de Campos