Nunca ví tamanho astral nessa cidade em meus 20 anos de Rio. Poucos eram cariocas. Da Zona Sul , raríssimos. Eram alegres, leves, despojados, educados. um pouco como os Motetos dos sobrinhos da família Bach que ouço agora na Radio MEC. Eles e o Papa, estranhos no ninho em uma cidade hedonista e decadente. Padeceram com tudo aquilo que a eterna desorganização do Rio lhes ofereceu: transporte precário, banheiros insuficientes e sujos, preços abusivos. Tiraram tudo de letra! Com um sorriso nos lábios. Eles mesmos faziam a segurança - Polícia prá quê? - Esses jovens provaram que a lei mata; só o espírito vivifica (Cor. 3,6). Deixaram em 5 dias em Copacabana pouco mais em lixo do que apenas uma noite do famoso reveillon na praia. Oxalá os cariocas tenham aprendido algumas lições de civilidade e urbanidade com essa garotada! Poderiam aprender outras, mas dessas falo mais tarde.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Cioran
A preocupação com a decência.
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O ser verdadeiramente solitário não é o que foi abandonado pelos homens, mas o que sofre no meio deles, o que arrasta seu deserto pelas feiras e exibe seus talentos de leproso sorridente, de comediante do irreparável. Os grandes solitários de outrora eram felizes, não conheciam a duplicidade, não tinham nada que ocultar; só se relacionavam com sua própria solidão.
O ser verdadeiramente solitário não é o que foi abandonado pelos homens, mas o que sofre no meio deles, o que arrasta seu deserto pelas feiras e exibe seus talentos de leproso sorridente, de comediante do irreparável. Os grandes solitários de outrora eram felizes, não conheciam a duplicidade, não tinham nada que ocultar; só se relacionavam com sua própria solidão.
Entre todos os laços que nos unem às coisas, não há um só que não afrouxe e não pereça sob a influência do sofrimento, que nos liberta de tudo, salvo da obsessão de nós mesmos e da sensação de ser irrevogavelmente indivíduo. É a solidão hipostasiada em essência. Sendo assim, por que meios comunicar-se com os outros senão pela prestidigitação da mentira? Pois se não fôssemos saltimbancos, se não houvéssemos aprendido os artifícios de um charlatanismo sábio, se fôssemos sinceros até o despudor ou a tragédia - nossos mundos subterrâneos vomitariam oceanos de fel, onde desaparecer seria nosso ponto de honra: fugiríamos assim da inconveniência de tanto grotesco e sublime. Em um certo gráu de desgraça, toda franqueza torna-se indecente. Jó se deteve a tempo: um passo adiante e nem Deus nem seus amigos lhe teriam mais respondido.
(Somos civilizados na medida em que não proclamamos nossa lepra, em que damos prova de respeito pela elegante falsidade forjada pelos séculos. Ninguém tem o direito de curvar-se sob o peso de suas horas...Todo homem esconde em si uma posssibilidade de apocalipse, mas todo homem sujeita-se nivelar seus próprios abismos. Se cada um desse livre curso à sua solidão, Deus deveria recriar esse mundo, cuja existência depende inteiramente de nossa educação e deste medo que temos de nós mesmos... - O caos? - É rejeitar tudo o que se aprendeu, é ser você mesmo...)
Breviário da Decomposição.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
De vinhos e mulheres... (mais uma!)
Os vinhos são como as mulheres; quanto maior o seu poder de sedução inicial, mais deles deves desconfiar.
De um produtor francês consagrado citado por Jorge Lucki - talvez o melhor critico de vinhos do país - na sua coluna na rádio CBN.
( O nome do produtor ainda descubro. Não ouví bem pelo rádio.)
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(A apresentadora do programa seguinte - Tânia Morales - ouviu e comentou: Faz sentido...)
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Do Bem e do Belo
O Bem desmorona prá onde quer que você lance os olhos; o Mal fustiga furiosamente em todos os flancos. Inclino-me a aceitar que só nos resta uma âncora: o Belo. A ética desfalece; só a estética permanece. O Mal viceja em toda a parte entretanto não destronou o Belo. As flores ainda brotam - inclusive e apesar de - no pântano. Meno male!
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Uma celebração do Belo são essas imagens deslumbrantes do nascer da Lua Cheia filmado pelo australiano Mark Gee. No final ela paira sobre o mirante de Mount Victoria, em Wellington (Nova Zelândia).
O pessoal se reuniu ali em cima esta noite para ter a melhor visão possível da saída da lua.Capturei o video a 2.1 km de distância, no outro lado da cidade, explicou Gee na descrição de seu trabalho. Segundo seu autor, o material está exatamente como foi filmado, sem nenhum tipo de manipulação.
sábado, 20 de julho de 2013
É uma epopéia... ou seria odisséia?
Ela está melhor,
bem disposta.
Quase andando sozinha novamente.
Me deixou feliz quando a visitei no começo do mês. É meu oásis predileto nesse imenso deserto que é a existência. Nele descanso minha alma, desarmo meu espírito.
Faz 89 anos hoje. Acho que chega aos 100.
Força noninha!
bem disposta.
Quase andando sozinha novamente.
Me deixou feliz quando a visitei no começo do mês. É meu oásis predileto nesse imenso deserto que é a existência. Nele descanso minha alma, desarmo meu espírito.
Faz 89 anos hoje. Acho que chega aos 100.
Força noninha!
Lendo a Biblia...
Com o filho
...e a nora.
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