Podres poderes é uma canção de Caetano Veloso escrita em 1984, no crepúsculo da ditadura militar no Brasil. Provavelmente era uma referência ao período de exceção que vivíamos. Começamos uma Nova República, elaboramos a Constituição Cidadã de 1988. Lá se vão 40 anos de democracia e depois da revelação dos constrangedores fatos e diálogos entre o trambiqueiro proprietário do Banco Master e integrantes dos três Poderes - comprou a República! - somos obrigados a qualificar nosso substantivo com mais um adjetivo. Além de podres, são promíscuos. Há vícios para todos os gostos, contemplam o arco completo dos pecados capitais. Degustações de whisky y habanos in London, pagamento de diárias em hotéis de luxo... aluguel de casas nababescas... garotas de aluguel... contratos milionários com bancas de familiares de ministros... Estou citando o que me vem à memória.
A consequência é o total descrédito nas instituições e uma República à deriva. Assistimos a tudo bestializados, parafraseando o jornalista Aristides Lobo - à sem uma reação mais intimidadora aos desmandos dessa turma. Por que não a desobediência civil, por exemplo? Todos eles se mantém supremos, olímpicos, esperando a poeira baixar e
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