sábado, 29 de outubro de 2016

Trilha sonora de uma vida

Essa música era a cortina musical de um programa de rock da Rádio El Mundo de Buenos Aires que eu ouvia  religiosamente nas noites solitárias daquele quartinho alugado debaixo da garagem de uma casa de família logo após ter saído do seminário, um casulo em que me escondí durante toda a adolescência/juventude. Corria o ano da graça de 1973, estava com 21 anos; dera 10 anos a Deus. Tinha cabelos longos, tantos quantos aqueles do trio, usava óculos, era um nerd. Aliás, ainda o sou. Começava alí minha aventura solitária por esse mundão no qual até hoje me sinto um intruso. Aquele  radinho Hitachi, capa de couro azul foi meu fiel companheiro nesse início da jornada. Sumiu. Foi um dos talismãs que perdi na vida.
Essa música? Tudo a ver comigo. 


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Podres Poderes

Nessa terra, além de jabuticabas brotam outras peculiaridades. Uma delas  é o fato de existem brasileiros que  são mais iguais do que outros. Mais peculiar  ainda é o fato de que se existe  um grupo que pode ser distinguido com essa brasilianice, ele é o Judiciário. Justo  quem deveria combater esse tipo de iniquidade. Basta ler os jornais da semana e você vai encontrar um sem número de   benesses e prebendas materiais e financeiras conquistadas  por essa  turma.
 - Tudo legal ! argumentam. 
É ou não kafkiano esse pais?

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Entre a cruz e a espada.

É a nossa situação diante das opções oferecidas  para a Prefeitura da cidade: entre o obscurantismo religioso e o obscurantismo político, apud Fernando  Gabeira ( O Globo, 23.10.2016).

domingo, 23 de outubro de 2016

Brasileiro sabe das coisas!

Um curioso perguntou ao empreiteiro Fernando Cavendish:
–Você não tem medo de acabar preso?
–Não. O que eu tenho medo é de ficar pobre
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Fernando Cavendish, enredado na LavaJato, é o dono da Delta, empresa aquinhoada com uma série de contratos sem licitação no governo Sérgio Cabral e que presenteou a mulher deste,  com um anel de U$ 200000,00  -  coisa de pobre - de acordo com a opinião de  Élio Gaspari -  Coisa de Pobre -  na sua coluna da Folha de hoje. O diálogo acima também é reproduzido da mesma coluna sob o título de Dois Medos.

Filosofando...

O fato referido no início do texto e a batalha ou a pantomima protagonizada pelo senado na longa sessão que culminou com o  impeachment  da nossa presidanta (sic) . O autor era contra, eu a favor mas discordâncias a parte, comungo com o que escreveu a respeito da verdade. É assim que a entendo. Foi assim que me ensinaram.
Isso foi o que de leve, e irônico, ficou do massacre da última semana. Dito assim — pequena transformação — teria caído bem naquele ambiente saturado de versões e meias-verdades. Uma meia-verdade é uma mentira inteira. Não há verdade pelo meio. Houve debates, teses se opuseram, fez-se a mímica do contraditório. Mas a verdade, que não é senadora, não estava lá. A verdade é divina. Seu lugar não era mesmo ali. — Esta coluna é um pequeno acalanto para a tristeza da verdade.
É,a verdade é difícil. Não vem de graça. Pede um trabalho de lupa. Estão faltando lupas. E trabalho honesto em procurar. Pensei no paradoxo do mentiroso. É assim. Vem um homem e diz: “Eu minto”. Isso é o que ele diz. Mas pode ser exatamente o contrário. Basta que ele de fato minta. Neste caso o dito corresponde à realidade, e o homem que declara que mente diz a verdade. Ou ele, na verdade, não mente, e então “Eu minto” é uma mentira. Moral da história: a verdade não depende do que se diz, mas de quem se é. E do que se faz. Da concordância e discordância entre o que se faz e o que se diz que se faz. — Naqueles dias, a verdade não foi convidada para a festa.
Mas o que é verdade? Noel sabia: “A verdade, meu amor, mora num poço/ É Pilatos lá na Bília quem o diz.” Hoje, aqui, o poço não foi escavado. A água está turva. Jesus, naquele tempo, não respondeu a Pilatos quando ele, retoricamente, lhe perguntou: “Mas o que é a verdade?” Jesus bem sabia. Já tinha dito: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” E se calou. Essa era a resposta. Um dos velhos cínicos gregos, que denunciavam a hipocrisia com ações, não com palavras, não teria feito melhor. Mas a pergunta ficou no ar, porque corresponde a uma agonia muito antiga. Não possuímos a verdade. Não sabemos o que ela é. E isso nos desnorteia. Mas também nos dá norte para a grande questão da filosofia: O que é verdade?
Desde cedo os filósofos foram fazendo seus ensaios. Primeiro, no século VI a. C., os pré-socráticos ligaram verdade e não verdade, aparência e ocultação. Foi uma compreensão de grande beleza, porque não tinha a ver com a discurseira do Ocidente, mas com a vida e o mundo. Tudo se mostra e também se esconde, brilha e se apaga, como um farol. A verdade está no comum pertencimento do brilho à escuridão, da escuridão à luz. Perdemos essa bonita intuição. Tanto tempo passou! Já usei aqui, para darlhe um pouco de familiaridade, o exemplo das marés. A maré alta precisa que a terra se esconda para que o mar apareça. A maré baixa necessita a retração do mar: aí a terra se mostra. Foi assim que pensaram os pré-socráticos: escondimento/aparecimento; encobrimento/desencobrimento. Foi daí que tiramos a palavra “descoberta” para falar da verdade. Esquecemos o retraimento, a sombra sem a qual descoberta não há. Saímos do mundo da vida para a ordem dos discursos.
Essa reviravolta foi feita pelos grandes filósofos do século IV a. C., Platão e Aristóteles. Inventaram dialéticas e lógicas, artes da fala e do pensamento. A vida, isso que corre fora das palavras, é perigosa, argumentavam. Honestamente. Eles de fato procuravam a verdade, e desejavam protegê-la dos seus riscos. A verdade ficou na ordem do que se diz, se se diz bem, com correção.
No século XIII Santo Tomás encontrou uma bela formulação, que voltou a ter consideração pelo mundo. Mas aí o mundo, a vida, já eram “as coisas’’, as criaturas. A definição: “Adequação da coisa ao intelecto e do intelecto à coisa”. É preciso agora que o que se diz concorde com o que é. É necessário poder provar. Essa prova se fez, primeiro, pela evidência lógica — e aí ainda remetia à experiência aristotélica da verdade. Santo Tomás foi o mais grandioso discípulo de Aristóteles, tantos séculos depois. Mais tarde, com o advento das ciências, a partir dos séculos XVI/XVII, provar passou a exigir observação real, experimentação e cálculo. E a descoberta das leis que regem a verdade do Real. Essa concepção ainda nos é familiar.
Hoje, verdade não há mais. É o que nos ensinam os pós-modernos. Porque a verdade só pode ser ou não ser. Já se viu, não há meia verdade. E, dizem eles, não há mais esse tipo de coisa absoluta. O que há são versões. Opiniões. Narrativas. (Essa palavra tornou-se irritantemente frequente nos últimos dias.)
Mas a verdade, na sua sombra que sofre, está lá. Ela nos diz que um fato ou aconteceu, ou não. Ou é o que se diz dele, ou não. O sofrimento da verdade é que ninguém mais esteja interessado nisso. Uma boa versão (“robusta”, gostam de dizer) dá conta do recado. Recado... A verdade, coitada, que recobre a vida e o mundo, recado...
Vida dura, a da verdade. Mas um dia ela volta. E, quando sua luz iluminar os plenários, vai se ver quem afinal estava nu.
Em geral é o rei.
Márcio Tavares d'Amaral - O Globo, 10.09.2016

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Pussygate

Trecho da conversa entre Donald Trump e Billy Bush, um jornalista de celebridades
(Transcrição de Penn Bullock - The York Times, 08.10.2016) 
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Trump: Yeah, that’s her. With the gold. I better use some Tic Tacs just in case I start kissing her. You know, I’m automatically attracted to beautiful — I just start kissing them. It’s like a magnet. Just kiss. I don’t even wait. And when you’re a star, they let you do it. You can do anything.
Bush: Whatever you want.
Trump: Grab ’em by the pussy. You can do anything.
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Pois é, esse diálogo do Trump está dando o que falar e fazendo aflorar hipocrisias sem fim, tanto de homens quanto de mulheres, normalmente do grupo que eu considero muderno. O que ele diz é rigorosamente verdadeiro, apesar da maneira chula com que o tenha feito. Não era um declaração pública, colocaram no ventilador a gravação de uma conversa dele com um jornalista de celebridades. E papo entre homens é por aí mesmo, apesar de muitos deles terem declarado que  retiraram o apoio à sua candidatura pelo episódio. Hipócritas! Entre mulheres - são elas que o dizem -  a vulgaridade muitas vezes é maior.
 O nosso Guga - é claro com seu jeito labrador!  -  já disse algo que vai de encontro ao que o linguajar pitbull do Trump traduz. Lembro de uma entrevista sua em que declarou que depois de ter ganho Roland Garros ele tinha ficado bonito. 
Bidú!
As duas declarações apenas refletem um comportamento inscrito no DNA das mulheres. A fêmea procura naturalmente o macho mais poderoso do seu grupo - o tal do  alfa -  que nos dias atuais, traduz-se por  uma celebridade, um campeão, um endinheirado, o mais inteligente da classe... E se por ele se interessa, será a ele que abrirá com maior facilidade a porta do seu jardim de delícias. Eu diria que é um assédio pelo avesso.
Deixando de lado o mimimi...Papo reto...Quantas mulheres já não fantasiaram to be grabbed by the pussy e quantos homens já foram considerados frouxos por elas exatamente por haven´t  grabbed them by the pussy?
Gostem ou não as feministas e arrabaldes.


PS - Se americano fosse, votaria na Hillary.