quarta-feira, 30 de abril de 2025

Porque hoje é dia de jazz

 Dois biscoitos finíssimos com a realeza do jazz; prá começar   Ella Fitzgerald canta Duke Ellington (Sophisticated Lady) acompanhada pela orquestra do próprio;  depois  é Duke e  orquesta em Jeeps Blues. 

Prá ouvir de joelhos.



segunda-feira, 21 de abril de 2025

Recado aos market..eiros

Certa vez, um jovem me perguntou: 'Na universidade, tenho muitos amigos que são agnósticos ou ateus; o que devo dizer para que se tornem cristãos?'. Nada, respondi. A última coisa que você deve fazer é falar. Primeiro, deve fazer; então, quem vir como você vive e administra sua vida é que perguntará: 'Por que você faz isso?' Nesse momento, você poderá falar. Com os olhos. Com os ouvidos. Com as mãos. E só depois com as palavras. No testemunho de uma vida, a palavra vem depois, é consequência.

Papa Francisco,  Esperança, Paulus Editora, 2025.

Que descanse em paz!

sexta-feira, 11 de abril de 2025

A miséria do justiça brasileira (II)

 

Por fim, DEBORA RODRIGUES DOS SANTOS, no mesmo dia 8, na Praça dos Três Poderes, em Brasília/DF, destruiu e concorreu para a destruição, inutilização e deterioração de patrimônio da União, ao avançar contra as sedes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, fazendo-o com violência à pessoa e grave ameaça, emprego de substância inflamável e gerando prejuízo considerável para a União

Trecho do voto de Alexandre de Moraes, ministro do STF, que condenou a cabelereira a 14 anos de cana dura por ter pichado com batom a frase Perdeu Mané  na estátua da deusa Têmis em frente ao STF durante os acontecimentos de 08/01/2023. Ficou presa por dois anos, mesmo sendo mãe de dois filhos menores. Sua prisão foi relaxada para domiciliar depois de inúmeros pedidos da defesa sempre negados pelo Todo-Poderoso Xandão sob a alegação de que a ré representava periculosidade social de acordo com a Gazeta do Povo.

Haja volúpia para punir! o ministro caracteriza o batom como substância inflamável, recusa a petição para cumprir pena em domicílio a uma trabalhadora, mãe de dois filhos menores, com a alegação de  periculosidade social

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O presidente do Tribunal nunca disse que a corte “defeated Bolsonaro”. Foram os eleitores.

Trecho da Nota do STF em resposta a um editorial da revista  The Economist  de 16/04 que tece críticas a atuação da Suprema Corte brasileira. De fato, no texto original,  escreveu-se : In 2023, the court's president boasted it had defeated Bolsonaro. 

Posteriormente a  revista corrigiu o texto para had defeated bolsonarismo, a palavra  usada no discurso em tom de comício no Congresso da UNE em Brasília:  - Nós derrotamos a censura, nós derrubamos a tortura, nós derrotamos o bolsonarismo para  permitir a democracia....

Trocar Bolsonaro por bolsonarismo não muda o sentido da frase. Quanto a alegação de que  o nós referia-se aos eleitores, por favor!  Qualquer indíviduo na devida posse de razão não vai entender a frase dentro dessa ótica, até porque outros ministros estavam ao lado do ministro Barroso no pronunciamento. Não quisesse ser parcial, não usasse nós e tampouco bolsonarismo. 

A nota da Suprema Corte não passa de um exercício de expediente fartamente utilizado no  meio jurídico;  a manipulação das palavras transformadas em  piruetas da retórica.

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Perdeu Mané rabiscado na estátua da deusa grega da Justiça, representada de olhos vendados para significar imparcialidade tem tudo a ver

quarta-feira, 26 de março de 2025

Milonga del solitario

Soy como el lión de las sierras,
Vivo y muero en soledad.

Atahualpa Yupanqui (1908/1992)


 

segunda-feira, 24 de março de 2025

Ah, este país...

Em  04 de março, foi a vez de Affonso Romano de Sant'anna partir. Mais um.

Seus versos discorriam sobre o quotidiano refletindo as perplexidades e agruras do país,  em especial, na segunda metade do século XX marcada pela ditadura militar . Seu poema - Que país é este? -  é um retrato daqueles tempos, considerado sua grande obra. 

  

QUE PAÍS É ESTE?

para Raymundo Faoro

Puedo decir que nos han traicionado? No. Que

todos fueran buenos? Tampoco. Pero alli está

 una buena voluntad, sin duda y sobretodo, el ser así.

   CÉSAR VALLEJO

1

   Uma coisa é um país,

   outra um ajuntamento.

    Uma coisa é um país,

   outra um regimento.

    Uma coisa é um país,

   outra o confinamento.

 

Mas já soube datas, guerras, estátuas

usei caderno "Avante"

  – e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um "berço esplêndido" para um "futuro radioso"

e éramos maiores em tudo

 – discursando rios e pretensão.

 

   Uma coisa é um país,

   outra um fingimento.

    Uma coisa é um país,

   outra um monumento.

    Uma coisa é um país,

   outra o aviltamento.

 

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça

em busca da especiosa raiz? ou deveria

parar de ler jornais

  e ler anais

como anal

     animal

  hiena patética

  na merda nacional?

 

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo

comendo o que as traças descomem

    procurando

o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso

que nos impeliu a errar aqui?

 

   Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos

   nacionais, como qualquer santo barroco

  a rebuscar

   no mofo dos papiros, no bolor

   das pias batismais, no bodum das vestes reais

   a ver o que se salvou com o tempo

   e ao mesmo tempo

 – nos trai.

 

2

Há 500 anos caçamos índios e operários,

há 500 anos queimamos árvores e hereges,

há 500 anos estupramos livros e mulheres,

há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

 

Há 500 anos dizemos:

   que o futuro a Deus pertence,

   que Deus nasceu na Bahia,

   que São Jorge é que é guerreiro,

   que do amanhã ninguém sabe,

   que conosco ninguém pode,

   que quem não pode sacode.

 

Há 500 anos somos pretos de alma branca,

   não somos nada violentos,

   quem espera sempre alcança

   e quem não chora não mama

   ou quem tem padrinho vivo

   não morre nunca pagão.

 

Há 500 anos propalamos:

   este é o país do futuro,

   antes tarde do que nunca,

   mais vale quem Deus ajuda

   e a Europa ainda se curva.

 

Há 500 anos

   somos raposas verdes

   colhendo uvas com os olhos,

    semeamos promessa e vento

   com tempestades na boca,

    sonhamos a paz da Suécia

   com suíças militares,

    vendemos siris na estrada

   e papagaios em Haia,

    senzalamos casas-grandes

   e sobradamos mocambos,

    bebemos cachaça e brahma

   joaquim silvério e derrama,

    a polícia nos dispersa

   e o futebol nos conclama,

    cantamos salve-rainhas

   e salve-se quem puder,

    pois Jesus Cristo nos mata

   num carnaval de mulatas.

 

Este é um país de síndicos em geral,

este é um país de cínicos em geral,

este é um país de civis e generais.

 

   Este é o país do descontínuo

   onde nada congemina,

     e somos índios perdidos

   na eletrônica oficina.

 

    Nada nada congemina:

    a mão leve do político

    com nossa dura rotina,

      o salário que nos come

    e nossa sede canina,

     a esperança que emparedam

    e a nossa fé em ruína,

     nada nada congemina:

    a placidez desses santos

    e nossa dor peregrina,

 

     e nesse mundo às avessas

    – a cor da noite é obsclara

    e a claridez vespertina.

 

3

Sei que há outras pátrias. Mas

mato o touro nesta Espanha,

planto o lodo neste Nilo,

caço o almoço nesta Zâmbia,

me batizo neste Ganges,

vivo eterno em meu Nepal.

 

    Esta é a rua em que brinquei,

   a bola de meia que chutei,

   a cabra-cega que encontrei,

   o passa-anel que repassei,

   a carniça que pulei.

 

Este é o país que pude

que me deram

e ao que me dei,

e é possível que por ele, imerecido,

  – ainda me morrerei.

 

 4

Minha geração se fez de terços e rosários:

  – um terço se exilou

 – um terço se fuzilou

 – um terço desesperou

 

 nessa missa enganosa

 – houve sangue e desamor. Por isto,

canto-o-chão mais áspero e cato-me

    ao nível da emoção.

 

Caí de quatro

           animal

     sem compaixão.

 

 Uma coisa é um país,

outra uma cicatriz.

 Uma coisa é um país,

outra a abatida cerviz.

 Uma coisa é um país,

outra esses duros perfis.

 

Deveria eu catar os que sobraram,

os que se arrependeram,

os que sobreviveram em suas tocas

e num seminário de erradios ratos

 suplicar:

 – expliquem-me a mim

   e ao meu país?

 

Vivo no século vinte, sigo para o vinte e um

ainda preso ao dezenove

 como um tonto guarani

 e aldeado vacum. Sei que daqui a pouco

 não haverá mais país.

 

País:

 loucura de quantos generais a cavalo

 escalpelando índios nos murais,

 queimando caravelas e livros

    – nas fogueiras e cais,

 homens gordos melosos sorrisos comensais

 politicando subúrbios e arando votos

 e benesses nos palanques oficiais.

 

Leio, releio os exegetas.

Quanto mais leio, descreio. Insisto?

Deve ser um mal do século.

– se não for um mal de vista.

 

Já pensei: – é erro meu. Não nasci no tempo certo.

 Em vez de um poeta crente

 sou um profeta ateu.

 Em vez da epopéia nobre,

 os de meu tempo me legam

 como tema

 – a farsa

 e o amargo riso plebeu.

 

5

Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto

e sinto muito o que falo

 – pois morro sempre que calo.

Minha geração se fez de lições mal-aprendidas

 – e classes despreparadas.

Olhávamos ávidos o calendário. Éramos jovens.

Tínhamos a "história" ao nosso lado. Muitos

maduravam um rubro outubro

   outros iam ardendo um torpe agosto.

Mas nem sempre ao verde abril

 se segue a flor de maio.

Às vezes se segue o fosso

 – e o roer do magro osso.

E o que era a revolução outrora

agora passa à convulsão inglória.

E enquanto ardíamos a derrota como escória

e os vencedores nos palácios espocavam seus champanhas

 sobre a aurora

o reprovado aluno aprendia

  com quantos paus se faz a derrisória estória.

Convertidos em alvo e presa da real caçada

abriu-se embandeirado

  um festival de caça aos pombos

  – enquanto raiava sangüínea e fresca a madrugada.

 

 Os mais afoitos e desesperados

em vez de regressarem como eu

   sobre os covardes passos,

e em vez de abrirem suas tendas para a fome dos desertos,

seguiram no horizonte uma miragem

     e logo da luta

    passaram

ao luto.

 

Vi-os lubrificando suas armas

  e os vi tombados pelas ruas e grutas.

Vi-os arrebatando louros e mulheres

  e serem sepultados às ocultas.

Vi-os pisando o palco da tropical tragédia

  e por mais que os advertisse do inevitável final

  não pude lhes poupar o sangue e o ritual.

 

  Hoje

os que sobraram vivem em escuras

e européias alamedas, em subterrâneos

de saudade, aspirando a um chão-de-estrelas,

plangendo um violão com seu violado desejo

a colher flores em suecos cemitérios.

Talvez

  todo o país seja apenas um ajuntamento

  e o conseqüente aviltamento

    – e uma insolvente cicatriz.

    Mas este é o que me deram,

   e este é o que eu lamento,

   e é neste que espero

   – livrar-me do meu tormento.

 

 Meu problema, parece, é mesmo de princípio:

– do prazer e da realidade

  – que eu pensava

com o tempo resolver

 – mas só agrava com a idade.

 

Há quem se ajuste

engolindo seu fel com mel.

Eu escrevo o desajuste

vomitando no papel.

 

 6

Mas este é um povo bom

   me pedem que repita

   como um monge cenobita

   enquanto me dão porrada

   e me vigiam a escrita.

 

Sim. Este é um povo bom. Mas isto também diziam

os faraós

  enquanto amassavam o barro da carne escrava.

Isso digo toda noite

 enquanto me assaltam a casa,

isso digo

    aos montes em desalento

enquanto recolho meu sermão ao vento.

 

 Povo. Como cicatrizar nas faces sua imagem perversa e una?

Desconfio muito do povo. O povo, com razão,

– desconfia muito de mim.

 

Estivemos juntos na praça, na trapaça e na desgraça,

mas ele não me entende

  – nem eu posso convertê-lo.

A menos que suba estádios, antenas, montanhas

e com três mentiras eternas

 o seduza para além da ordem moral.

 

Quando cruzamos pelas ruas

não vejo nenhum carinho ou especial predileção nos seus olhos.

Há antes incômoda suspeita. Agarro documentos, embrulhos, família

a prevenir mal-entendidos sangrentos.

 

 Daí, já vejo as manchetes:

  – o poeta que matou o povo

  – o povo que só/çobrou ao poeta

  – (ou o poeta apesar do povo?)

 

– Eles não vão te perdoar

 – me adverte o exegeta.

Mas como um país não é a soma de rios, leis, nomes de ruas, questionários

   [e geladeiras,

e a cidade do interior não é apenas gás neon, quermesse e fonte luminosa,

uma mulher também não é só capa de revista, bundas e peitos fingindo que

[é coisa nossa.

 

 Povo

também são os falsários

e não apenas os operários,

povo

também são os sifilíticos

 não só atletas e políticos,

povo

são as bichas, putas e artistas

  e não só escoteiros

  e heróis de falsas lutas,

são as costureiras e dondocas

  e os carcereiros

e os que estão nos eitos e docas.

Assim como uma religião não se faz só de missas na matriz,

mas de mártires e esmolas, muito sangue e cicatriz,

a escravidão

  para resgatar os ferros de seus ombros

requer

poetas negros que refaçam seus palmares e quilombos.

 

 Um país não pode ser só a soma

de censuras redondas e quilômetros

quadrados de aventura, e o povo

 

 não é nada novo

    – é um ovo

 que ora gera e degenera

 que pode ser coisa viva

    – ou ave torta

depende de quem o põe

  – ou quem o gala.

 

 7

Percebo

  que não sou um poeta brasileiro. Sequer

  um poeta mineiro. Não há fazendas, morros,

  casas velhas, barroquismos nos meus versos.

 

 Embora meu pai viesse de Ouro Preto com bandas de música polícia militar casos

[de assombração e uma alma milenar,

embora minha mãe fosse imigrando hortaliças protestantes tecendo filhos nas

[fábricas e amassando a fé e o pão,

olho Minas com um amor distante,

como se eu, e não minha mulher

 – fosse um poeta etíope.

 

Fácil não era apenas ao tempo das arcádias

entre cupidos e sanfoninhas,

fácil também era ao tempo dos partidos:

 – o poeta sabia "história"

 vivia em sua "célula",

  o povo era seu hobby e profissão,

  o povo era seu cristo e salvação.

 

O povo, no entanto, não é o cão

e o patrão

– o lobo. Ambos são povo.

E o povo sendo ambíguo

é o seu próprio cão e lobo.

 

Uma coisa é o povo, outra a fome.

Se chamais povo à malta de famintos,

se chamais povo à marcha regular das armas,

se chamais povo aos urros e silvos no esporte popular

 

então mais amo uma manada de búfalos em Marajó

e diferença já não há

entre as formigas que devastam minha horta

e as hordas de gafanhoto de 1948

 – que em carnaval de fome

o próprio povo celebrou.

 

 Povo

   não pode ser sempre o coletivo de fome.

Povo

   não pode ser um séquito sem nome.

Povo

   não pode ser o diminutivo de homem.

 

O povo, aliás,

 deve estar cansado desse nome,

embora seu instinto o leve à agressão

 e embora

o aumentativo de fome

 possa ser

 revolução.


 *******, 

... mas eu sou fã mesmo é da  Implosão da Mentira que lí - se a memória não me falha -  nos bons tempos do Caderno B do Jornal do Brasil. Ambos estão  em linha  com meu post anterior em Afinal, onde foi que nos f...? Os anos se passaram mas o desencanto e a perplexidade continuam.

 

Mentiram-me.
Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente.
Mentem de corpo e alma completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem sobretudo impunemente.
Não mentem tristes,
alegremente mentem.
Mentem tão nacionalmente
que acho que mentindo história a fora
vão enganar a morte eternamente.

Mentem, mentem e calam
mas nas frases falam e desfilam de tal modo nuas
que mesmo o cego pode ver a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil e para alguns é cara e escura,
mas não se chega à verdade pela mentira
nem à democracia pela ditadura.

Evidentemente crer que uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo permanentemente.

Mentem, mentem caricaturalmente,
mentem como a careca mente ao pente,
mentem como a dentadura mente ao dente
mentem como a carroça à besta em frente,
mentem como a doença ao doente,
mentem como o espelho transparente
mentem deslavadamente como nenhuma lavadeira mente ao ver a nódoa sobre o
rio
mentem com a cara limpa e na mão o sangue quente,
mentem ardentemente como doente nos seus instantes de febre,
mentem fabulosamente como o caçador que quer passar gato por lebre
e nessa pilha de mentiras a caça é que caça o caçador
e assim cada qual mente indubitavelmente.

Mentem partidariamente,
mentem incrivelmente,
mentem tropicalmente,
mentem hereditariamente,
mentem, mentem e de tanto mentir tão bravamente
constroem um país de mentiras diariamente.

O agente laranja

Tomei conhecimento da sua existência na Guerra do Vietnã. Herbicida e desfolhante químico utilizado pelos americanos para expor os vietcongues que se utilizavam das florestas tropicais vietnamitas como cobertura para suas ações. Além dos danos à natureza causou sérios problemas de saúde a quem teve contato com ele. 

Associei-o a Donald Trump que tem um cabelo loiro-amarelado fake e também é destruidor, mas  da ordem econômica/politica mundial que ele  opera desde que assumiu a Casa Branca pela 2a vez. Poderia chamá-lo também de Diabo Loiro e aí associá-lo ao nosso Corisco. 

Fico me perguntando se existe algum plano por detrás do autêntico tiro no pé que a América está dando nela mesma ou é apenas o desvario de um indivíduo narcisista, ressentido - há quem o considere psicopata - no comando da mais poderosa nação do planeta e a casa-mãe - suprema ironia -  da democracia liberal. Eleito democraticamente, mesmo condenado em 34 ações criminais de fraude contábil! São os drawbacks  do regime que Churchill definiu como o menos pior de todos os já experimentados pela humanidade.

Aqui da planície, arriscaria considerar que ele é a peça de um jogo operado por gente poderosa que o usa como marionete, mas ao mesmo tempo dele precisa porque é dono dos votos do eleitor. Para  Martim Vasquez em artigo publicado  no final de semana na Ilustríssima, esse grupo seria constituido por boa parte da elite tecnológica e bilionária do Vale do Silicio disposta a substituir a ordem liberal do pós-guerra por outra tecnológica, baseada na inteligência artificial. Caso a hipótese seja verdadeira, pergunto-me se esses caras apesar de serem  muito inteligentes e bons no que fazem,  leram alguma coisa de política e de história universal ou ficaram confinados  à cultura do Vale? A julgar pelos fatos ou só eles vislumbram - do alto da sua sapiência autossuficiente -  um futuro róseo, mas desconhecido e sequer imaginado por nós simples mortais ou  nos conduzindo para um mar revolto que a todos tragará. Pessimista,  temo que última hipótese seja a mais factível.

Reuters