Errar é humano e persistir no erro é demasiado humano.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
Disse tudo (VI)
Esse é o paradoxo do identitarismo, embora tenha surgido como um movimento para tratar da diferença, ele mesmo não consegue lidar com o diferente
em defesa da psicanalista Maria Rita Kehl, linchada virtualmente depois de ter criticado o movimento identitário por ela classificado como um nicho narcísico. Cirúrgica, disse tudo em duas palavras.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
Disse tudo (V)
O Rio é essa cidade em que tudo parece possível, e nada se realiza.
Carlos Heitor Cony
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
A miséria da justiça brasileira.
Instado pelo STF a explicar o aumento de R$2000,00 para R$10000,00 do valor do vale-alimentação aos funcionários do TJ-MT em dezembro passado, jocosamente apelidado de vale-peru, seu presidente na manifestação enviada ao Supremo, lá pelas tantas saiu-se com essa pérola:
Tal benefício não deve se limitar a um mero caráter formal, mas sim assegurar a cobertura das necessidades nutricionais diárias da pessoa humana, com dignidade, equilíbrio e em conformidade com as boas práticas alimentares.
Jurisdiquês + cara de pau dá nisso aí. É por essa e outras muito mais graves, que nosso Índice de Confiança na Justiça elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, alcança meros 34%.
Desembargador José Zuquim Nogueira, vá se catar!
sábado, 1 de fevereiro de 2025
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
Afinal, onde foi que nos f....?
- En qué momento se habia jodido el Peru?
é a pergunta que se faz Santiago ao sair do jornal em que trabalhava em Lima. Está logo na primeira página de Conversación en la Catedral de Mario Vargas Llosa. Catedral, diferentemente do sugere o nome, é um barzinho sórdido da capital peruana, local dos encontros entre el periodista Santiago e Ambrósio um ex-chofer do seu pai, um próspero empresário envolvido em transações marcadas pela corrupção na ditadura do general Manoel Odria que governou o Perú no período de 1948/1956.
Não lí todo o livro, mas certamente a frase, que segundo a crítica marca a obra, revela um profundo desencanto do personagem - alter-ego do escritor - com seu país retratado impiedosamente na década de 50 do século passado por Vargas Llosa.
Tomei conhecimento da frase em um artigo de Manuel de Almeida para O Globo e logo pensei no Brasil, na América Latina. Ela resume bem as mazelas, contrastes, o realismo fantástico - lembrando um gênero literário calcado nos usos e costumes desta parte do mundo - que vi e vivi como brasileiro nos meus 73 anos de vida en Sudamérica.
Somos uma virtualidade que não se realiza, condenados a recorrentes períodos de crescimento econômico com a amplitude do alcance de um voo de galinha. Nos 40 anos de democratização nossos avanços foram pífios; nosso PIB foi ultrapassado por China e India, agora os fortões do que se chama Sul Global e a Indonésia deve nos ultrapassar em pouco tempo. Em termos de PIB per capita, a Coréia que já nos ultrapassara em 1985, agora nos supera por um fator de 3; a Turquia que tinha valores próximos aos nossos, hoje nos é superior por um fator de 1,5. Gráficos ilustram os dados na matéria do Poder360 de 15.03. Em termos de educação, pilar para o desenvolvimento de qualquer país, nosso desempenho também é decepcionante; as avaliações do Pisa em 2022 para educação básica em matemática, leitura e ciências, feitas em 82 paises pela OCDE nos colocam no quartil inferior da classificação, ao nível da outrora grande Argentina e só melhores que o Paraguai na América do Sul (Folha, 5.12.23).
Para arrematar passemos ao realismo fantástico. Saiu a poucos dias um Relatório Mundial da Felicidade feito pela ONU em 147 países. Leva em consideração o PIB de cada país, suporte social, expectativa de vida saudável, liberdade, generosidade e percepção de corrupção. Vamos surpreendentemente bem, ocupando a 36a colocação, abaixo apenas do Uruguai na América do Sul (CNNBrasil). Em compensação, no Índice de Percepção da Corrupção de 2024 elaborado pela organização Transparência Internacional ocupamos a 107a posição em um ranking de 180 países, o pior desde que o indice passou a ser publicado. Dado mais preocupante, é o baíxíssimo índice de confiança interpessoal tanto brasileiro (5%), como latino-americano (15%) de acordo com dados do Informe Latinobarómetro 2024. Países líderes nesse índice, como Suécia e Noruega apresentam valores entre 60 e 70%. Vai entender... felizes acima da média, mas desconfiando do próximo em gráu máximo e com altas taxas de corrupção.
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Ainda lembro de uma entrevista do Antonio Callado, grande jornalista e escritor que já nos deixou faz tempo, dada - acho que - ao Caderno B do Jornal do Brasil, em que ele afirmava ter desistido da América Latina. Foi lá no século passado. Roberto Campos dizia que somos um país que não perde oportunidade de perder uma oportunidade.
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Coincidência ou não, Bolivar Lamounier escreve no Estadão de 22.03 - Por que não saimos do lugar?
Apocalipse now
A faixa de Gaza não deixa de produzir imagens impressionantes. E saber que ela é vizinha do que costuma se chamar Terra Prometida.
Ironia suprema é que ela pode se tornar mesmo uma Terra Prometida, a depender dos delírios trumpistas e seus incorporadores imobiliários que pretendem expulsar seus habitantes para transformá-la num résort de luxo. Está tudo fora de lugar!



